A política além das claques

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Assim como o modelo nacional de invencionices e distorções proposto pelo PT e adeptos, vimos nos interiores e aqui puxaremos o foco para Serra Talhada, um modelo muito antiquado e improdutivo de fazer política. O tom nas redes sociais, em especial no WhatsApp, é de provocar, de gerar debates quase intermináveis quanto aos egos, a disputa para saber quem é mais forte, quem venceu mais e blá blá blá. De ambos os lados, tem a turma que defende com unha se dentes o seu político de estimação, enquanto que outra turma vai se levantar para apontar defeitos. No mesmo dia ou no mais tardar no da seguinte, o papel se inverte: quem atacava aponta qualidades do seu político, aí cabe aos opositores começarem a desconstrução.

Esse ambiente está carregado, mais que nunca surge o desejo de oxigenar, de que surjam novas personalidades políticas, novos discursos e comportamentos. Infelizmente o pouco que se levantou sob a pecha de novo já demonstrou total desconexão com o que de fato importa. Ouvimos proposta do tipo: “vou abrir mão de salários”, como se fosse esse o problema da administração pública. É necessário que ouçamos propostas mais admiráveis, como enxugamento do secretariado, construção séria de um Orçamento Participativo, enfim, intenções que tenham impacto direto no custo da máquina administrativa, que otimize recursos e que melhores serviços, o tão prometido mais com menos.

Muito mais importante que novo no sentido da idade do candidato, sejam suas ideias, que precisam de fato joviais, atuais com os novos tempos. Que ponha fim a essa ideia de um novo grupo que se levanta a cada vez que a caneta alterna de “dono”. Na lógica do rei morto, rei posto, ficam os seguidores de caneta atentos a cada tendência.  Assim, quem vence, embriagado pelo processo em si passa a crer que possui qualidades sobre-humanas e que deixa de fazer o que é necessário: uma gestão sintonizada com o que o povo deseja, precisa e merece.

Andamos calejados da mesma ladainha, do mesmo cabo de guerra que quer nos vender uma ideia de campos ideológico antagônicos, mas que no frigir dos ovos são siameses. Nasceram dos mesmos movimentos, foram forjados nas mesmas temperas, beberam e ainda bebem da mesma fonte. Em público, ferrenhos rivais, nos bastidores, muitos laços que os aproximam, movidos a interesses e práticas afins.

Precisamos de novas práticas urgentemente. Precisamos de novos comportamentos. O cidadão anda cansado do velho mesmo mantra, da mesma ladainha, do passo a passo previsível. Provocações e defesas exageradas. Uso da máquina, do dinheiro e exploração criminosa da miséria financeira, psicológica e educacional dessa gente, que na marra tem tido acesso ao conhecimento e vai pouco a pouco varrendo esse modelo. Retardatários ou céticos das mudanças podem pagar preços muito altos, e queremos estar firmes para vê-los arcar.

Reconhecemos que somos pretenciosos. Por meio desse jornalístico queremos não apenas informar o individuo, mas chamá-lo para uma reflexão, para pensar fora da sua bolha, de suas conveniências. Para enxergar o todo, o interesse coletivo. Não temos dúvida que somente com o munícipe mais consciente, usando das suas prerrogativas como legítima maior autoridade, é que corrigiremos as distorções. Parece utopia, mas é perceptível a mudança de postura do próprio cidadão. Mesmo coagido pelas questões de financeiras e outras, segue suas convicções, mesmo que precise adotar o silencio para fazer uso destas.

Com tudo que vivemos na esfera nacional, com os escândalos, investigações, prisões e etc. amadurecemos muito no entendimento das práticas, na compressão do nosso papel e das instituições. Assim como o papel de cada um dos poderes. Percebemos e ainda estamos tomando pé da nossa importância. Estamos nos inteirando das engrenagens das administrações, e já podemos discutir com os nossos pseudos representantes dentro dos processos sucessórios, sem sermos tão ingenuamente manipulados. Foi depois dessa nova concepção que percebemos que o modelo atual é ultrapassado. Que a contribuição para um município melhor vai além de claques pagas para aplaudir ou para serem pitbulls do adversário. É necessário ter qualidade no que propõe, clareza na proposta e comportamento condizente com aquilo que prega.

É bom que os políticos tradicionais, aqueles que detém o manual das engrenagens desse sistema entendam que o desejo do povo é de fazer um upgrade, uma atualização, e ela pode ser apenas de comportamentos e de ideias, mas pode ocorrer e no nosso modo de enxergar melhor será se trocar tudo, o modelo completo, incluindo os operadores.

Maciel Rodrigues

Jornalista SRTE-PE 5598  

Radialista DRT 2671

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