As administrações públicas precisam de puxões de orelha

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As administrações precisam urgentemente de um choque de gestão, para assim, quem sabe distanciar o que é gestão daquilo que é política partidária. A razão para isso é o emaranhado feito propositalmente pelos nossos governantes, amarrando o prazo de entrega de obras aos processos sucessórios, burlando assim o sistema democrático, já que corrompem a consciência do povo entregando-lhe aquilo que já seu pro direito.

O cronograma de entrega de obras está quase sempre atrasado, mas como um passe mágica aos e avizinhar um processo eleitoral tudo começa a andar com eficácia, com o óbvio propósito de ludibriar as pessoas, pois passado o pleito e alcançado o intento, volta a administração aos seus patamares ordinários e ineficientes.

O TCE fez um levantamento em Pernambuco e constatou que existem centenas de obras com o prazo de entrega expirado, no Brasil o panorama é semelhante. Muitas delas já viraram aberrações, fantasmas que aterrorizam as administrações do Estado e de muitos municípios. Aqui mesmo em Serra Talhada temos a situação das Obras de Urbanização do bairro do Mutirão, algo que virou “meme”, pois já teve diversas pais e padrinhos, no entanto se arrasta se conclusão prevista.

Outra obra que escancara o modelo de gestão em que vivemos é a da sede do Corpo de Bombeiros. Paralisada por e retomada em muitas oportunidades, já foi utilizada em pela menos duas disputas eleitorais no Estado, mas ainda espera conclusão.

No município a coisa é ainda mais preta, talvez por se tratar de uma área menor e na qual vivemos, constatamos que os problemas são muitos. Obras que duraram pouco, como a pavimentação de mais de duas dezenas de ruas no IPSEP, além das denúncias de problemas nas licitações, como a que aponta que uma empresa venceu a licitação, porém outras é que construiu, isso no caso do Anel Viário. Mais além destes, temos o Serviço Móvel de Urgência, SAMU, que começou no final do último mandato de Carlos Evandro, e depois de pelo menos 9 anos, segue como um elefante alvo que dói na vista.

Mas quem dera, meus amigos e amigas do XIS DA QUESTÃO, que parasse por estas obras somente. Temos a UPA-24 horas e suas nuances que tratam de paralisação devido a calote por parte do governo. Temos Unidades Básicas de Saúde que deveriam ter sido entregues em 2016, mas só funcionaram o jingle de campanha do prefeito que se reelegeu.

Voltando ao Estado, temos o Aeroporto Santa Magalhães. Muitas datas foram estipuladas, muitas entrevistas, muitas fotos e vídeos foram feitos. Até um voo, entre aspas, experimental foi realizado, trazendo que passageiros? Claro! Os políticos votados no município e região. Contudo, tirando o espetáculo, voos comerciais ainda não foram autorizados pela Anac, que é a agência reguladora. Apenas voos fretados estão aprovados, os de carreira, não! Resta-nos aguardar a conclusão de algumas obras, exigências da própria Anac, que ganharam o protagonismo como sendo os últimos entraves para que finalmente a gente voe. Parece que falta pouco, se não surgir mais adiante nenhuma nova exigência no caminho.

Outra obra do Estado e que não será entregue tão cedo será o Hospital Geral do Sertão, iniciada no ano passado, a construção previa 24 meses para a entrega, mas, quando estávamos dentro do processo sucessório, o governador e então candidato a reeleição, Paulo Câmara, chegou a dizer a obra poderia até ser entregue antes, ledo engano. Agora com mais 4 anos assegurados no comando do Estado, o governo postergou por mais 24 meses o prazo para conclusão da obra e de pano de fundo usou o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social) como aquele que está exigindo a extensão do prazo.

Resumindo, meus amigos e amigas, temos obras feita sob medida para dar o “up” nas candidaturas ao Estado de Pernambuco e também aos municípios, no nosso caso Serra Talhada. É bem provável que Upa-24 horas e SAMU funcionem, nem que seja num improviso, caso isso possibilite ao grupo atual em manter-se no poder. Quem sabe com mais 24 meses, entregar um hospital grande e moderno seja uma excelente “moeda de troca” para apresentar um Geraldo Júlio ou outro pessebista como o nome para sucessão de Paulo, e por aí vai.

Enquanto não acordarmos como sociedade e pressionarmos os demais poderes para que cumpram os seus papeis, aqui nos referimos ao Legislativo e ao Judiciário, os Executivos executarão da maneira que melhor lhe convier, e pelo raio X mínimo que fizemos, sempre na conveniência dos partidos, dos clãs, das oligarquias, quase nunca baseados no interesse coletivo. Quase sempre desprovidos de espírito público.

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