As vergonhosas votações de contas

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Será que um julgamento político, sem critérios, sem pudor, contrariando pareceres técnicos, análises sérias, é capaz de transformar um corrupto em um cidadão limpo, em um candidato confiável? Pelo menos seguindo os sinais emitidos pelos caminhos pragmáticos da política, sim! Não há temor quanto ao julgamento das urnas. Os políticos condenados pelos tribunais de contas apostam no desinteresse e até na permissividade do eleitor e não temem o mais eficaz e definitivo julgamento: o das urnas.

As manobras políticas para não pararem na lista de fichas sujas ou para saírem dela, são inúmeras e recheadas de atos muitos distantes da ética, do respeito as leis. Um verdadeiro vale-tudo é travado nos bastidores. As negociações envolvem desde de dinheiro até a acordos para pleitos seguintes, participações em possíveis governos, já que aqueles que se livram juridicamente dos impedimentos por terem contas rejeitadas, querem se candidatar e, repetimos, não temem o julgamento feito pelo cidadão.

Baseados de que nada na política é por acaso, em Serra Talhada assistimos a uma sucessão de fatos que fazemos questão de ligar os pontos. O ex-prefeito Carlos Evandro teve diversas contas rejeitadas pelo TCE-PE, mas vem em alguns casos revertendo o julgamento na Câmara de Vereadores, apesar da maioria ser governista e ele está na oposição, mas é fácil entender, o prefeito Luciano Duque também já teve contas rejeitadas pelo mesmo tribunal, isso quer dizer prefeito e ex-prefeito estão no mesmo barco, independente de em que lado estão, e isso é forte o suficiente para cooperarem entre si por uma absolvição coletiva.

Pouco tempo depois de uma das contas de Luciano Duque serem rejeitadas pelo TCE-PE, a Câmara pôs em votação uma das de Carlos Evandro que também foram rejeitadas, e os vereadores as aprovaram. Duque revelou não ter orientado sua base para seguir o parecer do tribunal, justificou que não guarda mágoas, que não faz política com ódio, rancor e blá blá blá. Na verdade, o prefeito estava pavimentando uma justificativa para a aprovação de uma das suas contas mais tarde, o que aconteceu. Duque que tem outra ainda para ser apreciada pela câmara, então seguindo a mesma estratégia, não deverá orientar a bancada a reprovar as contas de Carlos Evandro, pois logo ali outra dele vai chegar a Casa, e como estão do mesmo lado neste aspecto, ambos querem contar com votos de oposição e situação.

O raio vai cair mais de uma vez naquela casa. Teremos, outra vez, de ouvir justificativas infundadas. O vereador Rosimério de Cuca, por exemplo, já adiantou, como fez com as contas de Luciano, que vai usar o mesmo critério, ou a falta de algum, e que vai votar a favor da aprovação das contas de Carlos Evandro relativas a 2012. A matéria foi lida na sessão de segunda-feira passada, dizem que os Edis estão estudando os pareceres do TCE e não deverá demorar assistiremos outra vez o teatro dos horrores. É muita coragem! Ou a câmara confia muito na ignorância do povo ou ainda não mensurou o risco que assume!

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