Como dizem, a política é a arte de trair!

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Caros amigos, hoje vou falar sobre a política partidária, que, como alguns políticos gostam de dizer, “é a arte de trair”. Pois bem, não é difícil encontrar conflitos nas relações político-partidárias País a fora, mas quero mesmo é falar sobre a disputa em Serra Talhada, no interior de Pernambuco, onde já se pensa em 2020 e pouco se importa com as questões administrativas do ano em vigor, cada um, óbvio, pode contribuir para uma administração mais eficiente, tanto da situação como da oposição.

A precipitação da campanha municipal não começou agora, é bem verdade. Ela teve início tão logo o atual prefeito, Luciano Duque do PT, venceu Victor Oliveira em 2016. Nas primeiras entrevistas após a eleição, integrantes do bloco de oposição liderado pelo Deputado Federal Sebastião Oliveira já botavam “quebra-molas” pensando na eleição seguinte. O ex-prefeito Carlos Evandro foi um destes e talvez o que menos disfarçou não ter interesse em apoiar Victor Oliveira noutra empreitada, aliás, é bom lembrar que mesmo não tendo condições legais para a disputa, o ex-prefeito “assanhou” a água ao se colocar como pré-candidato, no fim, ao não ter o aval da Justiça Eleitoral, recuou e apoiou o escolhido, Victor Oliveira.

Nas entrevistas o “aliado” sempre fez questão de atribuir a boa votação do novato a Sebastião Oliveira e principalmente a si mesmo. Nas suas falas e agendas, o ex-prefeito nunca deixou suas intenções latentes, nunca foi preciso ser bom entendedor para compreender que, no seu estilo, partiria para o tudo ou nada, sempre olhando para as próprias conveniências. Em sucessivas entrevistas em determinados órgãos da imprensa local, Evandro sempre desmereceu a capacidade de Victor, e, para viabilizar o seu plano de voltar a governar a cidade, no máximo o aceitaria, para não gerar ainda mais desconfortos, o candidato de quase 20 mil votos, como seu possível vice.

Em uma destas entrevistas, o ex-prefeito falou de suposta pesquisa lhe dando margem muito grande para todos os pré-candidatos, inclusive Victor Oliveira. Nos moldes antiquados e em desuso, surgem as tais pesquisas sem registros, sem nexo, nem confiabilidade. Contudo o que está evidente é a objeção a natural candidatura de Victor Oliveira. Colecionador de contas rejeitadas, o ex-prefeito tachou as críticas feitas ao seu modelo de gestão e ao seu projeto de querer voltar empurrando tudo de goela abaixo em todos, como ingratidão. Logo o Carlão que no seu segundo ano de governo (em 2006) rompeu com Inocêncio Oliveira e ficou do lado de Mendonça Filho na disputa pelo governo do Estado. Derrotado, voltou a dialogar com o grupo mais tarde.

Não podemos esquecer que ao fim do seu segundo governo, mais uma vez virou as costas para Inocêncio e Sebastião Oliveira, peitou todo mundo, desmantelou a máquina pública em prol de fazer o sucessor, e fez. Porém mais tarde, nem tão tarde assim, recebeu na mesma moeda: Luciano Duque, seu vice durante 8 anos e o escolhido para sucedê-lo, jogou na imprensa um rombo milionário causado pela gestão desajustada de Carlão (ou de ambos, melhor dizendo). Na sequencia viu sua “liderança” se esfumaçar, deu votações pífias aos seus candidatos em 2014 (Marinaldo Rosendo e Lucas Ramos), e no que resultou tudo isso? Voltou outra vez, desta vez pequeno, soldado, ao grupo azul, agora liderado apenas por Sebastião, depois da aposentadoria de Inocêncio.

As idas e vindas, os rompimentos, as contas rejeitadas e todos os demais ingredientes deste angu a moda Carlos Evandro, mostram claramente quem não sabe ser grato, nem leal aos anseios de um grupo. Outra vez está promovendo um racha dentro do ninho dos Oliveiras, querendo levar a ferro e fogo o seu projeto pessoal, em detrimento aos pensamentos plurais, aos interesses que estão acima dos seus.

As movimentações do ex-prefeito são suspeitíssimas. De enquetes fantasiosas, de pesquisas que somente ele sabe e tem os números, de conversas e elogios ao grupo oposicionista. Suas intenções são uma incógnita, mas existem leituras, especulações. Depois de tantas idas e vindas, será que existe dentro do ninho azulão confiança de se engajarem e levarem outra vez Carlos Evandro de volta para a prefeitura correndo o risco iminente de novas traições? Respondo que de maneira velada, a maioria não confia no ex-prefeito, e assistindo ao vivo em pleno meio dia sua metralhadora contra o próprio grupo, não dá para dizer que os líderes azuis não tenham razão de dormir com um olho fechado e outro aberto.

Imaginando que o próprio ex-prefeito tenha consciência de que não goza de confiança no grupo de Sebastião, tem feito acenos, porque não dizer até obscenos, para o grupo do ex-aliado Luciano Duque. Já declarou num passado recente que não teria problema em ser lançado como candidato de Duque. Outro dia avaliou que o atual prefeito tem feito boa gestão e “dá drible de cobra de cipó” para superar as dificuldades. Enfim, depois dos disparos pelas costas no azuis e de gestos carinhosos com o grupo de oposição, há a especulação de que Duque e Carlão se juntem, mesmo tendo o ex-prefeito dito, numa entrevista no passado, que “tinha vergonha e usava”, ao ser perguntado se isso seria possível. Diante da performance pífia dos pré-candidatos de Luciano Duque até aqui, pelo menos, o ex-prefeito pode trabalhar cada vez mais forte na pavimentação desse reencontro, aliás, se o ex-prefeito tiver mesmo condições legais (o que não se sabe ao certo) esse reencontro pode ser a sobrevivência de ambos, uma vez que Duque deve se juntar ao antigo aliado entre os políticos fichas sujas.

Resta saber de Duque acredita mesmo que não receberia o troco da traição que fez ao escancarar os rombos da prefeitura ao suceder a Carlão, caso o apoiasse e ele vencesse o pleito de 2020. Enfim, meus amigos, o que não está faltando é histórico de ingratos e traidores, talvez reafirmando que de fato a política seja mesmo a arte de trair.

Este é um esboço de agora, muita coisa deve acontecer. Outras perguntas gritam, entre elas, se Victor Oliveira teria coragem de romper com Sebá se for escandalosamente preterido da condição de candidato, e se poderia sair independente ou marchar com outras frentes simpatizantes a ele, como determinada ala do PSL local. Como vemos, há muitas certezas, diversas evidências e incontáveis possibilidades. Cada mexida precipitada nesse tabuleiro obriga o opositor e mexer nas suas peças. A soma disso tudo é fazer um grande vencedor ou um time de perdedores por olhar sempre para os seus próprios umbigos.

Maciel Rodrigues

Jornalista SRTE-PE 5598  

Radialista DRT 2671

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