Contas rejeitadas: não tem essa de gratidão ou vingança.

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Contas rejeitadas: um dilema de muitas administrações Brasil a fora. Aqui no Pajeú já foram muitos prefeitos os prefeitos que tiveram suas contas reprovadas pelo tribunal de contas do estado. O saudoso ex-prefeito Gení Pereira foi um dos, seu primo Carlos Evandro o sucedeu, também. Agora chega a vez de Luciano Duque, que era vice de Evandro, ou seja, já tem familiaridades com a rejeição.

Dr. Gilson Pereira, irmão de Geni, sempre mostrou desconforto e acusou de que o julgamento das contas na câmara de vereadores foi somente político e que quiseram mesmo acabar com a vida publica de Geni.

Anos depois veio Carlos Evandro e também teve contas rejeitadas pelo TCE. Rompido com Inocêncio e Sebastião, viu suas contas serem rejeitadas pelo legislativo e, assim como Geni, se enquadrou na ficha suja, embora refute o rótulo e sustente que tem totais condições de ser o candidato.  Só lembrando que em 2008 Geni também defendia ter condições, concorreu, porém, seus votos não foram computados.

Tomando esses dois exemplos como base, as decisões do Tribunal de Contas foram acompanhadas pela câmara, pois caso decidisse não acompanhar seria necessário que o vereador justificasse a decisão.

Inicialmente confiante, Duque agora mostra-se preocupado com a rejeição das contas. Disse recentemente que não espera que haja sentimento de vingança quando suas contas vierem para apreciação do legislativo. Mas a pergunta que fazemos é: houve sentimento de vingança no julgamento das contas de Geni e Carlos Evandro? Acompanhar a decisão do tribunal técnico seria perseguir alguém, seria agir com sentimento de vingança ou seria ratificar o que manda a lei?

Duque defende inclusive que não se locupleta, que não enrique ilicitamente utilizando a prefeitura, e que não concede nenhum tipo de vantagens a parentes na sua administração. Ao confessar o temor pela rejeição, o prefeito lembrou que sempre tratou bem aliados e adversários e que governo pensando na maioria. Não duvidamos disso, porém a pergunta é: o que tem a ver uma coisa com a outra? Governar com transparência e prudência, não desviando recursos nem empregando parentes é tão somente a obrigação de qualquer gestor. Ter boa relação com aliados e adversários é importante para a governabilidade, porém não deverá ficar sentimento de gratidão a ponto de o poder legislativo fechar os olhos para as contas que foram rejeitadas, amigos, amigos, julgamentos a parte.

Cabe, obviamente, ao prefeito, recorrer e pode dessa maneira reverter o caso lá mesmo no tribunal, como aconteceu com uma das contas de Carlos Evandro que foi revista, erros técnicos também podem acontecer, quem disse que não? Agora, depois de exauridas as possibilidades de recursos, se a rejeição for mantida e as contas vierem para a câmara, não caberá sentimento de vingança nem de gratidão, deverá prevalecer a lei. Vereador que se opuser não somente precisará prestar contas ao tribunal, mas terá de se ver com o seu eleitor, pois exaustivamente teremos o prazer e mencionar seu nome e como se posicionou no julgamento.

Os tempos são outros. Melhor será quando a prudência dos prefeitos for maior, quando as câmaras forem mais atuantes e aturam de maneira apartidária, quando forem bem mais rigorosas, coibindo o desperdício no momento que ele se dá, e não apenas anos depois de gestões equivocadas terem provocado prejuízos que não podem ser reparados, pois não se trata apenas o dinheiro mal-empregado, mas do tempo que foi tirado do cidadão, algo que nenhum tribunal terá a competência de restituir.

Diz o ditado popular que o tempo é o senhor da razão e uam das mais belas músicas do Leoni, diz: “Mas a verdade sempre vem bater à porta. A gente tenha ou não vontade”.

Maciel Rodrigues

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