Duque e Marília, a causa da insônia de Paulinho e Armandão

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O Partido dos Trabalhadores anda judiado. Dilma afastada pelo impeachment, Palocci e Lula presos, Dirceu quase voltando para o xilindró, isso para sintetizarmos como anda o inferno astral da legenda.  Em Pernambuco a coisa não é muito diferente. Humberto já respondeu na época da máfia das ambulâncias, o ex-prefeito de Recife João Paulo, ficou muito desgastado depois de sucessivas derrotas, entre outras questões, como a intervenção direta para que o PT garfasse João da Costa na eleição do Recife e etc.

Não bastassem todas estas coisas, de quebra o partido não reelegeu figuras da estatura de Fernando Ferro e Pedro Eugênio, o último morreu 6 meses após a derrota nas eleições de 2014. Houve um definhamento da legenda no País e Pernambuco não ficou alheio a isso. Restaram poucos nomes ilustres: Humberto Costa, Odacy Amorim, João Paulo, apesar das particularidades já mencionadas anteriormente. Outros nomes sugiram nesse intervalo de tempo, Luciano Duque foi um, Marília Arraes, outro.  João Paulo não suportou os sucessivos acontecimentos e evitando mais embates foi para o PC do B.

De neo-petistas, Duque e Marília foram “emburacando na casa ôca” e ocupando espaços antes vagos pela falta de gente ou mesmo de coragem dos caciques. Luciano Duque administrando a segunda cidade mais importante da Sertão (atrás apenas de Petrolina), “criou fôlego”, como diria minha avó, e partiu para cima, tendo ampla maioria oposicionista no âmbito estadual, se viu transformar daquele que entrou pela porta dos fundos na legenda em 2012 a posição franco atirador do partido. Com Marília do lado, Luciano “passou o dedo” em grandes figurões do partido.

Maria cresceu nas pesquisas, no segundo levantamento realizado já chega na casa dos dois dígitos, um feito! Ninguém apostava que ela já “chegasse, chegando”, como se diz no ditado popular.

Isolado pela situação nacional, Luciano tinha duas opções: ou migrava para um partido da base de Paulo Câmara como foi especulado muitas e muitas vezes, ou teria que dar o sangue pela candidatura própria do PT, pela sobrevida de Marília Arraes como pré-candidata. O racha estava claro quando Humberto e João Paulo não estiveram na cidade governado por Duque quando esse lançou oficialmente a neta de Arraes como pré-candidata, apesar disso mantiveram uma aparente boa relação, mas essa situação foi ruindo, ruindo, a cada declaração de Humberto contrária a candidatura de Marília e favorável a união com o PSB.

Resumindo, o clima não é bom dentro do PT, pois os considerados mais importantes, a cúpula, não querem candidatura própria, alegando que não é o momento, que não será bom para a restruturação do partido e etc. e tal. João Paulo Já pegou o bonde e está na base do PSB, Humberto gostaria parece que gostaria de ser o candidato ao senador pela Frente Popular, em cabeçada pelos socialistas. Mesmo com esse clima tenso, como as implosões que foram promovidas, Marília não recuou.

Mesmo com sua candidatura tendo nascida cheia de obstáculos. Foi a primeira de alguém ao Palácio do Campos das Princesas anunciada no interior. Normalmente vem da capital e depois se espalha por todas as demais regiões.

Sem João Paulo, sem o diretório municipal do Recife, com Humberto fazendo corpo mole, quase sem representação na Alepe, o PT segue com candidato próprio, não recua e não marcha em direção ao PSB de Paulo Câmara. Por tudo que já houve até aqui, se não encontrarem um caminho no tapetão não vão tirar a neta de Arraes do páreo. Para piorar os números da última pesquisa múltipla são animadores para ela.

O instituto de Arcoverde ouviu 600 pessoas na Capital, Região Metropolitana, Agreste, Sertão e Zona da Mata, entre os dias 27 de abril e 1 de maio. Em um dos principais cenários, Paulo Câmara aparece com 24%, seguido de Marília que tem 21,5 e de Armando que caiu para terceira colocação na avaliação do eleitorado, figurando com 17,3. Sem Lula, sem Dilma, fora do Governo Federal e sem aprovação interna das principais lideranças, Marília melhora sua avaliação.

Esse cenário pode mudar quando os elementos da disputa foram postos na mesa quando iniciar o processo para vale, mas pode também cair outro raio daqueles de 2016, nesse caso vindo do mesmo sangue, com Marília superando os adversários e vencendo as eleições. A pergunta é: caso Marília vá para o segundo turno, como ficam as coligações de Armando e Câmara, neutras ou se juntam contra ela? Porque do contrário o PT já disse que com Armando não tem a mínima chance.

Resumindo, todos os esforços para barrar a candidatura da petista até agora não surtiram efeito, isso inclusive deve ser o combustível que encoraja o padrinho Duque a inflar o peito feito pombo e falar rosado com “os cabras da capitá”. Se nada for feito para impedi-la ou para derrubar sua avaliação nas próximas pesquisas, Paulinho e Armandão vão tomar muito remédio para conseguir dormir até o mês de outubro.

Maciel Rodrigues

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