Estamos divididos, mas é possível reunificar

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Vivemos dias de acirramento político e ideológico, uma amplificação das confusões e das distorções seculares que dividem a população brasileira, mas apesar disso e de ter havido um atentado ao então candidato Jair Bolsonaro, a democracia venceu. Assim como em 2002, quando uma massa entendeu que era hora de romper com o PSDB de Fernando Henrique Cardoso e abraçar Luiz Inácio Lula da Silva, que já tinha sido derrotado inúmeras vezes, surgiu, com essa insistência de Lula, o desejo e a curiosidade do povo de experimentar o novo, a esquerda.

Parcialmente de sucesso com supostas melhorias econômicas e sociais, o projeto do PT ficou carcomido e ruiu, desmoronou porque esteve alicerçado na mentira, na maquiagem dos números, no faz de conta, contudo é óbvio que algum legado ficou. Muito distante da imagem que se cria, mas deixou.

Há 5 anos, 1 ano antes da reeleição de Dilma Rousseff, em 2013, a população já demonstrava o seu desconforto com a política econômica, com os escândalos de corrupção e com todas as demais mazelas da administração que vieram à tona graças a justiça que andou com passos mais céleres. Apesar disso, o poderio político e econômico não permitiu que em 2014 alguma mudança significativa acontecesse. Sufocada por estes problemas, parte até desacreditou da democracia e chegou a pedir intervenção militar.

Felizmente, apesar de sua permissividade, pois anda sobre uma linha tênue entre os direitos do cidadão e a anarquia, a democracia prevaleceu nas eleições realizadas no dia 7 e ontem (28). Mesmo com abstenção gigantesca, o cidadão brasileiro saiu de casa disposto a fazer as suas escolhas, a novamente acreditar, a no mínimo sonhar pela simples troca de caminho. Muito questionado sobre suas convicções, quanto ao histórico de ataques e de extremos, Jair Bolsonaro foi o mais votado e assume em janeiro a presidência do País.

Apresentando-se como um ponto fora da curva, Jair Bolsonaro não teve vida fácil. Desde a rememoração de suas falas mais extremadas, e por vezes desrespeitosas ao longo de sua vida pública, até a devastação que sempre é feita na vida pregressa de qualquer candidato.

Certamente por ser alguém mais a direita, e de o País está sendo conduzido pelas entranhas da esquerda brasileira, o processo se tornou ainda mais acirrado, e, por vezes, violento. Desde a cusparada até a ataques verbais e à facada desferida por Adélio Bispo em Juiz de Fora – Minas Gerais – na quinta-feira 6 de setembro, tivemos uma campanha defendida, por ambos os lados (petistas e não petistas), de maneira visceral.

Menos de 24 horas depois de sua vitória, não dá para dizer que Bolsonaro vai ter vida fácil para presidir o Brasil. Provocadas pelo processo política da campanha, mas mais que isso, pelo resultado das políticas públicas dos últimos governos e das falas milimetricamente pensadas para a obtenção desse resultado, temos uma sociedade dividida. Reunificá-la será uma tarefa árdua e lenta. Talvez apenas com o possível sucesso da administração é que esse cenário vá se apagando pouco a pouco.

Reunificar o povo brasileiro vai requerer do novo presidente mais zelo com as palavras e com as atitudes, atirando fora as armaduras que ele deve ter construído para vencer as eleições, e, a partir de agora, mostrar que o seu governo que estará focado em atingir positivamente todos os cidadãos de maneira igual, sem privilégios ou prejuízos para quem quer que seja.

Vamos agora desarmar os palanques, usar a rede social para falar das coisas boas, ajudar o novo presidente na pacificação. Não existe mais o NÓS e ELES, somos a partir de agora a ser um só povo.

 

Viva o Brasil, viva democracia!

 

Maciel Rodrigues

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