Gestão Luciano Duque, um faz de contas “Made in PT”

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Atualizado as 16h25

Tem muita “base” e muito “pó” na gestão do PT em Serra Talhada, aliás, o governo feito por Luciano Duque não fugiu muito ao modo de governar do seu antecessor, Carlos Evandro. Muito fogos e mídia, muito estardalhaço para pouco serviço, ou para os mais generosos, serviços incompletos ou malfeitos. O modelo é tão inspirado no do antigo aliado, de quem foi vice entre 2005 e 2012, que até as contas começam a ser reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado. Além disso a gestão se consolidou como a que não destravou até aqui velhos problemas da sociedade serra-talhadense.

Para a reeleição em 2016, Duque promoveu um grande estelionato eleitoral, parafraseando o ex-presidente Lula, nunca visto antes na história desse município. Mentiu quando disse ter feito a UPA 24 horas no Bairro do IPSEP, assina embaixo que era mentira quando agora, dois anos mais tarde, divulga ter ultrapassado apenas a casa dos 50% das obras. Também foi alardeado no período eleitoral a conclusão do serviço do SAMU, o que também foi uma grande mentira com o propósito somente de se reeleger, o que acabou acontecendo, pelos factoides criados que o beneficiaram, como pelo poder da máquina que só mói dentro das disputas eleitorais. Duque tinha tudo para ter feito uma boa gestão, para ter apagado as pegadas do antecessor e assim diminuir qualquer chance de ele retornar, mas o prefeito preferiu botar como prioridade a pauta política e não a administrativa.

Na pauta política cresceu. Saiu da condição de um vice subalterno e achincalhado, para um político de suposto prestígio, coisas que o posto e a caneta sempre colaboram. Agora, restando pouco mais de dois anos para que tenha concluído sua passagem, o prefeito pode não colher os frutos que pensou ter plantado. Foi mestre nas cooptações, nas jogadas, nas negociatas, no xadrez político, e, mantendo a pisadinha de Carlão, manteve muitos dos secretários do ex-colega, e tocou o governo, até aqui, no melhor modelo “empurrando com a barriga”. Ampliou o número de ruas que receberiam o asfalto com dinheiro do FEM (O Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento Municipal), mas caiu nitidamente a qualidade da obra, seu estado calamitoso com vários buracos já chegou a grande parte do que foi feito. A intenção pode ter sido boa, a prática não.

No período eleitoral, além da UPA 24h e SAMU, também usou o velho expediente da promessa. Pedras e areias colocadas em várias ruas da cidade e de seus distritos, dando assim a impressão de que tocaria aquelas obras. Depois, muito do material foi recolhido, poucas obras de fato foram concluídas, provando assim que era apenas um estelionato eleitoral. O governo perdeu a mão quando alardeou antecipadamente, quando contou com a emenda antes que ela viesse, quando soltou fogos demais apenas na assinatura da ordem de serviço. O lema é impressionar na foto ou no vídeo, nos cartazes ou outdoors, porém na prática a sensação que se tem é que a população fica sempre com a impressão de que poderia ter sido feito mais rápido, dava para gastar menos, tinha condição de fazer melhor.

Tendo abdicado da condição de governar, de imprimir uma marca desenvolvimentista, o prefeito Luciano Duque optou por mexer as peças na disputa eleitoral, quase sempre antecipando o processo. Foi assim nas cooptações de antigos adversários, o mais notável deles é o atual vice-prefeito Márcio Oliveira. Antes Oliveira era um dos líderes da oposição e também um dos autores das denúncias no escândalo do bode. Faeca Melo, outro antigo adversário e também um dos denunciantes do tal escândalo do PAA, mudou de lado, defende ferrenhamente o governo municipal e até uma aproximação entre Duque e Sebastião Oliveira, este líder do PR em Pernambuco e do grupo oposicionista em Serra Talhada.

Os projetos de governo e de poder de Duque podem estar fadados a também seguirem os passos dos do ex-prefeito Carlos Evandro, que fracassaram. Não há um sentimento de realização plena por parte da sociedade quanto a principal bandeira da gestão que é a de obras, especialmente. Uma vez que existem várias inacabadas, paralisadas e principalmente atrasadas. O custo-benefício não é bom na visão do povo, quanto é na avaliação do governo. No tocante ao poder político, o prefeito não teve coragem o suficiente para se lançar candidato a deputado, e, diante do fracasso do projeto Marília Arraes que seria sua tábua de salvação, fica sem mandato, sem caneta, nem prestígio a partir de janeiro de 2020. A não ser que, assim como fez Carlos Evandro, eleja o sucessor, seja ele Márcio Oliveira, Márcia Conrado, Dr. Nena ou qualquer outro, e ainda troça que, caso isso ocorra, o escolhido não atire as mazelas de sua administração no ventilador, causando semelhante ruptura a dele com Evandro, o que lhe deixaria na rua da amargura como foi com o ex-aliado que acabou retornando ao grupo de Sebastião Oliveira.

E já que o prefeito gosta de Cazuza, tendo usado a música “declare guerra a quem finge te amar”, usamos outra composição do mesmo poeta, pois, em se concretizando o passo a passo de Duque pelas veredas de Evandro, poderá longe da política dizer “alô ao inimigo” e “encontrar abrigo no peito de um traidor”.

Maciel Rodrigues

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