Gleybson Martins x Anchieta Patriota. Um esquenta para 2020?

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Os poderes são autônomos e soberanos e isso está bem nítido na relação entre Legislativo e Executivo em Carnaíba, nas pessoas do Presidente da Câmara, Gleybson Martins, e do prefeito da cidade Anchieta Patriota. A guerra inclusive é de notas, todas enviadas ao Blog do Nill Júnior.

Diz a nota da prefeitura:

Agora, conclusão de reforma de escola da Itã é polêmica da vez. Prefeitura diz que Câmara não põe suplementação na pauta

O Poder Executivo de Carnaíba enviou Projeto de Lei para Câmara de Vereadores solicitando autorização para suplementação de recursos para ampliação da Escola Padre Frederico Bezerra Maciel no Povoado da Itã, onde serão investidos R$ 672 mil na obra e a construção de cinco piscinas em outras escolas da rede municipal de ensino.

A Prefeitura acusa o Presidente da Câmara, Gleybson Martins, de ter recebido o Projeto, mas ainda não tê-lo colocou em votação. Os recursos só poderão ser utilizados com a aprovação da Câmara.

“Caso projeto não seja colocado em votação as obras poderão ser paralisadas, prejudicando trabalhadores, comunidade da Itã e sítios vizinhos”, diz a municipalidade em nota.

Nesta 4ª feira (20) haverá sessão ordinária a partir das 9 horas da manhã e a expectativa é que a Mesa Diretora coloque o Projeto para análise e votação.

Caso não, a sessão pode esquentar mais uma vez. A oposição tem maioria na Casa.

A Câmara respondeu também por nota, leia:

Cumpre esclarecer que o referido projeto de Lei foi encaminhado ao Poder Legislativo em tramitação sob regime ordinário, o que significa dizer que o prazo para a Câmara deliberar a matéria é de 45 dias.

A Lei Orgânica Municipal e o Regimento Interno da Câmara são claros ao prever que poderá o Prefeito requerer regime de urgência, caso entenda que o projeto merece tramitação mais célere, quando, então, na confecção da pauta seriam colocados em primeiro lugar os projetos sob tal regime.

Ocorre que o Prefeito do Município não requereu urgência quando do envio do Projeto de Lei ao Poder Legislativo, tendo a Câmara adotado, por dever regimental, a tramitação ordinária.

Logo, há de se aguardar os pareceres das Comissões Parlamentares para a sua posterior inserção em pauta.

Cabe ao Presidente da Câmara prezar pelo respeito ao processo legislativo, e, no exercício de tal função, asseguro que o projeto seguirá o rito estabelecido pela Lei Orgânica Municipal e pelo Regimento Interno da Câmara.

 Em mais, chama atenção o descontrole orçamentário da gestão. Recentemente (em dezembro de 2018), a Câmara aprovou o orçamento do Município para o ano de 2019, autorizando toda a dotação orçamentária a ser executada de janeiro a dezembro de 2019, estranhando-se o pedido de suplementação de crédito já em fevereiro.

 Ao final, cumpre assegurar à população carnaibana que ela terá na Câmara de Vereadores um confiável suporte para a fiscalização dos atos do Executivo, não se admitindo a burla à Legislação, diz nota assinada pelo próprio presidente.

A guerra entre os poderes, segundo analistas políticos, é um esquenta para o ano que vem, quando o atual prefeito vai passar pelo seu teste de fogo. Da condição de líder absoluto entre 2005 e 2012, quando questioná-lo poderia parecer uma ofensa, a um líder que sabe do prejuízo que causou a si mesmo e a Frente Popular no município, quando tratou com menosprezo o antigo aliado Zé Mário, que o sucedeu entre 2013 e 2016.

Patriota impôs a sua candidatura, mesmo ignorando a natural candidatura de Zé Mário, que foi rifada do PSB (Patriota o desfilou sem que ele soubesse, o que só foi descoberto mais tarde). O desejo de voltar a comandar a cidade pela terceira vez veio depois do insucesso na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

Além de Zé Mário, Patriota perdeu nomes importantes, entre eles o principais: Neudo da Itã e Gleybson Martins. A dupla aplicou duas importantes derrotas sobre os candidatos apoiados pelo governo a presidência do poder legislativo municipal, um deles o filho do próprio prefeito, Victor Patriota. Será este mandato inteiro sem comandar a câmara.

O cenário mudou muito desde a morte de Eduardo. As questões econômicas no País também mudaram e “cumpanheirada” está toda no olho da rua. A estrada para o Estado e principalmente para o Governo Federal, esburacou. O PSB no município rachou, sobrou apenas a fidelidade do vice-prefeito, Júnior de Mocinha, que dizem, pode ser o Zé de amanhã.

Por enquanto a briga está boa de se vê, e pelos reveses seguidos do Executivo, paira a dúvida se quem sempre venceu saberá digerir e tirar lições se vier a derrota.

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