Intolerância para combater intolerância

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Combater ideias extremadas não é uma tarefa fácil. O conjunto de argumentos, o cuidado em “lincar” as motivações por quem pensa contrário, para que isso desperte naquele cidadão um sentimento mais sintonizado com a realidade, parece ser um completo desperdício de tempo quando do outro lado a pessoa dá sinais de ter ficado surdo para ouvir a verdade. Não adianta as manchetes de jornais, não importa os vídeos nem as citações, investigações nem condenações. Para esse cidadão que claramente foi induzido, manipulado, tudo faz parte de um grande complô, milimetricamente calculado e que não si do planejado uma vírgula.

Se é verdade que grandes incêndios são também combatidos com fogo, queimando-se de forma controlada as chamadas “zonas tampão” para assim extinguir o fogo, fica evidente que atos e comportamentos extremos também podem perder força quando tiver do lado oposto alguém ou um conjunto de pessoas extremando no campo antagônico.

Se de um lado o PT e seus partidos satélites preferiram o discurso ideológico, a implantação de políticas que os perpetuassem no poder, alienando a cabeça de muitas pessoas com sua controversa ideia de acabar com a desigualdade social, com sua questionável metodologia de tirar as pessoas da miséria, do outro lado tinha que ter alguém que se posicionasse absolutamente contra. Não deixasse nada nas entrelinhas, que fosse claro, mesmo que isso significasse não vencer as eleições, e foi nesse campo que Jair Bolsonaro ficou a cavalheiro, como diz o comentarista político Jair Ferraz. Tendo que ser apenas ele mesmo, Bolsonaro rivalizou com o PT, tornou-se figura antagônica a Lula e suas práticas e assumiu definitivamente o posto que por anos foi ocupado pelo PSDB.

Moderado, polido, Geraldo Alckmin foi abafado pelo extremismo petista e não conseguiu emitir uma mensagem forte capaz de colocar-lhe na condição de principal adversário. O cidadão que deseja mudança, mas que não estava mais crente em encontrar um só justo nessa nova Sodoma e Gomorra, olhou desconfiado, porém tem apostado na candidatura de Jair Bolsonaro, pois ela nasceu por meios não convencionais, se mantém sustentada por uma militância engajada e cresceu depois que uma suposta vítima do preconceituoso Jair Bolsonaro o atacou de maneira covarde com faca em ato público realizado em Juiz de Fora.  Aquele ato extremo fez muita gente enxergar melhor de que lado é que estão os extremistas e as pessoas capazes de qualquer coisa para não deixar que o oposto vença pelas vias legais e democráticas.

Resumindo, quando a ideologia produz seres intolerantes, somente posições igualmente duras é que são capazes de combatê-las, de superá-las. É o tal do fogo combatendo fogo!

 

Maciel Rodrigues

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