O processo político é um “carnavalzão” no Brasil

0
56

A encenação política finge conseguir disfarçar as reais intenções por trás de cada gesto, de cada movimentação. Em suam maioria a nota ou a fala tenta desdizer aquilo que foi pronunciado em alto e bom som.

O eleitor mais ingênuo não consegue entender porque Dilma foi afastada e Temer continua, logo não compreende a jurisprudência e o rito do processo de impeachment. Pior que ter dois presidentes afastados, Collor e Dilma, foi assistir a sessão que afastou a presidenta manter-lhe os direitos políticos, enquanto Fernando Collor teve que ficar 8 anos distante das disputas eleitorais.

Também não entra na cabeça do eleitor situações como as que vimos este ano em Pernambuco.  De dentro da cadeia o líder maior do PT, Luiz Inácio Lula da Silva dar o veredito para que Marília Arraes fosse tirada da disputa pelo governo do Estado, deixando assim o caminho livre para que Paulo caminhe para reeleição. Agora, o PT quer abrir processo disciplinar contra o prefeito de Serra Talhada, Luciano Duque, porque ele não seguiu a orientação de se aliar a Paulo. Essa ditadura em prol da democracia é que muitas vezes fica difícil de compreender.

Também soa até como uma ofensa que em campanha em todas as mídias o candidato “A” diga que Lula é ele, e que ele é Lula. Se Lula é ele quer dizer que esse candidato segue as cartilhas política e administrativa do ex-presidente? Não custa relembrar que o cabo eleitoral dessa campanha é um presidiário, condenado por lavagem de dinheiro, logo defende-lo fervorosamente, o reverenciando, é como se assinasse um atestado aprovando tudo o que ele fez, inclusive os esquemas de corrupção.

Outra situação que deveria está sendo vista como aberração seria a união entre petistas e emedebistas em várias regiões do Brasil. Golpistas e golpeados sorrindo, como se nada nunca tivesse acontecido. Golpistas pedindo votos para a volta da vítima do golpe. Isso não cabe na cabeça do eleitor.

Pior que esses detalhes citados, é o desinteresse ou alienação da maior parte do eleitorado, pelo menos aparentemente, que não cobra isso, que não se indigna, que se veste a caráter e cai na folia nesse carnavalzão fora de época.

Tá parecendo aquela brincadeira de “a volta dos que não foram”. Os desdobramentos dessa campanha incidem diretamente sobre os caminhos para a próxima. Vai ter velhos adversários se juntando, vai ter novos correligionários tendo que deixar o barco em busca de espaço, vai ter partido sendo tomado, ou seja, a velha novela que assistimos de 2 em 2 anos. Uma dramaturgia sem novidades, quase incapaz de emocionar aquele espectador que já está cansado dessa mesma encenação.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here