Pernambuco no caminho do retrocesso desde o final do governo Dilma Rousseff

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Leia mais uma excelente Coluna Fogo Cruzado, do jornalista Inaldo Sampaio, desta segunda-feira, 29 de abril:

Pernambuco foi um dos Estados mais penalizados do Brasil após o desgoverno de Dilma Rousseff. Avançou a passos largos nos 8 anos de governo do presidente Lula, sobretudo no período em que Eduardo Campos se encontrava no Palácio do Campos das Princesas.

Eduardo soube tirar proveito de sua amizade pessoal com o ex-presidente e de sua aliança política com o PT. Durante o seu governo vieram para Pernambuco grandes investimentos como a refinaria da Petrobrás, os estaleiros de Suape, a Fiat/Jeep em Goiana, etc.

Esses empreendimentos foram geradores de milhares de postos de trabalho tanto na região da Mata Sul como também no Litoral Norte.

Passados cinco anos daquele “boom” desenvolvimentista, o Estado pegou o caminho da volta, coincidindo, infelizmente, com a maior recessão da nossa história, que nos foi legada por Dilma Rousseff, além de 10 milhões de desempregados em decorrência da crise econômica.

Hoje, o desemprego campeia na região da Mata Sul. Na época das “vacas gordas”, cerca de mil ônibus entravam em Suape, diariamente, transportando trabalhadores que eram vinculados às indústrias de lá. Hoje, não mais do que 50 fazem aquele percurso. Perderem seus empregos cerca de 80 mil trabalhadores.

O Estado, que chegou a investir R$ 4 bilhões em sua economia no penúltimo ano do governo de Eduardo Campos, investiu em 2018 menos de R$ 1 bilhão.

Um dos responsáveis por essa queda de investimentos foi a “Operação Lava Jato”, que não se contentou apenas em pedir a prisão de gestores públicos e privados ímprobos. Queria também, e de certa forma conseguiu, quebrar os braços e as pernas das construtoras que ofereceram propina em troca de obras.

Por isso, o procurador Deltan Dalagnoll anda rindo à toa por ter encontrado na Justiça Federal de Curitiba acolhida total às suas denúncias.

Não se trata, aqui, de ser contra o combate à corrupção, muito pelo contrário. Ela tem que ser combatida com mão de ferro em qualquer lugar em que se encontre, sejam quais forem os responsáveis. Mas o doutor Deltan queria mais que o encarceramento dos corruptos e de aparentemente obteve êxito.

Em decorrência desta “Operação”, a Petrobras paralisou os investimentos que fazia no Complexo de Suape (gerando milhares de desempregos) e anunciou na última sexta-feira que pretende desfazer-se da Refinaria Abreu e Lima.

Engraçado. O Sindicado dos Engenheiros da Petrobrás produziu um documento datado de 1980 dizendo ser necessária a instalação de novas refinarias no Brasil, especialmente no Nordeste, onde havia apenas uma no Estado da Bahia, para dar conta da demanda.

Pernambuco foi o Estado escolhido para receber este empreendimento, graças a Lula, a Eduardo Campos e também aos líderes da Oposição que se empenharam nesta luta – Marco Maciel, Roberto Magalhães, Jarbas Vasconcelos, Joaquim Francisco, Gustavo Krause, etc.

Agora, 4º mês do governo Bolsonaro, em que situação nos encontramos? Devendo mais de R$ 2 bilhões a fornecedores, com um déficit anual de R$ 2,7 bilhões na folha dos aposentados e pensionistas, a 4ª maior taxa de desemprego do Brasil e um dos maiores índices de homicídios. E sem canal algum com o governo federal.

Para completar o cenário de notícias ruins, o JC deste domingo (27) divulgou que o maior parceiro comercial de Pernambuco, que é a Argentina, reduziu consideravelmente a importação de bens produzidos em nosso Estado.  Exportamos para terra do Papa Francisco, do cantor Carlos Gardel, do mito Evita Perón e do gênio Maradona R$ 608 milhões em 2018 (automóveis, óleos combustíveis, baterias, etc).

No primeiro trimestre deste ano, as exportações caíram 83% em relação ao mesmo período do ano anterior. De acordo ainda com o jornal, o polo automotivo de Goiana chegou a paralisar a produção de veículos por três dias, no mês de outubro de 2018, em virtude da queda de exportação para a Argentina.

Estamos, portanto, atravessando um preocupante “período de turbulência” do ponto de vista de nossa economia. Mas, apesar desse quadro nebuloso, a direção nacional do PSB – partido do qual o governador Paulo Câmara é vice-presidente – fechou questão contra a reforma da previdência. Quer uma reforma que não reforme nada. Dá para entender?

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