Querem tapar o sol com peneira!

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A maquiagem de dados e o encobrimento de responsabilidades já começou. Todo ano vivemos a mesma coisa: nível de infestação por Aedes Egypti muito a cima dos níveis desejados e em seguida os casos de dengue, Zyka e Chingunya. Os governos municipais sabem melhor que ninguém onde está a deficiência, mas ignoram e preferem fazer mutirões midiáticos que não vão corrigir o que deixou de ser feito.

O quantitativo de Agentes de Endemias está abaixo do recomendado quando se divide o número de domicílios. Na maioria dos municípios do Pajeú, a visita a cada 60 dias aos domicílios não está sendo obedecida, já que o profissional tem mais casas para vistoriar do que deveria, esse fato resulta em ineficiência da política pública. A irresponsabilidade é tripartite. Primeiro o Ministério Saúde custeia apenas os Agentes previstos na sua portaria. Serra Talhada tem 40, número muito distante do recomendado. O Governo federal sabe disso, então tem responsabilidade.

O governo de Pernambuco veio ao município lançar em janeiro o plano de enfrentamento as arborizes, pois é sabido de que o risco é iminente em 70% dos municípios pernambucanos, então o tipo de parceria entre os governos dos municípios e o Estado se dá por outras circunstâncias e com outras cooperações, não com o subsidio de Agentes, então o Estado também tem suas responsabilidades. Por último, o maior culpado, o município, pois sua inércia faz com que seus munícipes paguem a conta. Se é verdade que é no município que a coisa acontece, é nele em que vivemos, portanto recai sobre o governo local o zelo em cobrar os demais governos de suas responsabilidades e não de eximir das suas.

Os governos municipais sabem que com o quantitativo atual nunca cumprirão as metas estabelecidas, no entanto insistem em tratar a questão as arboviroses como “programa”, assim ficam apenas com os profissionais subsidiados pelo Ministério da Saúde. Em Serra Talhada, a prefeitura disse que contratou de maneira temporárias 11 profissionais, além do 40, número ainda insuficiente. Nenhuma vaga foi colocada dentro do concurso realizado em 2018, ou seja, o governo tem consciência que não vai cumprir as metas e que isso significa infestação acima do ideal e picos de casos, como já começaram a ser registrados no estado.

Já sabedores do que deixou de ser feito, as secretarias de saúde dos municípios lançam mutirões, uma maneira de acenar para o povo, minimizar os problemas que virão, de maquiar suas responsabilidades. Os governos não contratam definitivamente para não ter que arcar integralmente com os salários de agentes, mas ao mesmo tempo estão comprometendo as receitas acima dos níveis estabelecidos pela Lei de Diretrizes Orçamentárias, na maioria dos casos com gente que não presta qualquer serviço relevante para o povo.

O que precisa é menos fogos e mais ação, menos política partidária e mais responsabilidade com as políticas públicas e os seus objetivos.

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